É que muitas vezes me encontro assim, sem saber o que dizer, sem saber o que fazer e percebo que estou perdendo alguma coisa a qual ainda não estou sentindo falta, mas sentirei, eu sei. Outras já sei que perdi, não sei o que foi, mas também saberei, eu sei.
Os meus olhos ainda procuram no azul o que nunca viram e esperam ansiosos para ver, não conhecem, mas com certeza saberão decifrar na hora que aparecer.
Minhas mãos querem tatear o que nunca puderam, por medo, fraqueza ou falta de oportunidade. Me perdi no tempo que eu mesma escolhi pra mim, no meio das palavras que ninguém me disse, nos gestos dispersos que só eu entendia. Percebo agora que não quero ficar tão só, mas também não quero me perder em multidões, ainda tenho medo, ainda tenho desejos. Estou curiosa por saber se sou eu mesma tentando me convencer que não sou outra ou se sou outra tentando me convencer que ainda sou a mesma. Com certeza fica a essência, não se sente através do espelho, mas se vê, percebe-se a cada gesto; no jeito de mexer o cabelo, de arrumar o brinco, de buscar no rosto sinais do tempo, de parar e imaginar como seria se não fosse assim...
domingo, 17 de maio de 2009
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Um comentário:
Impressionante a comunhão entre a palavra escrita - esta sua- e a palavra cantada - Tigresa, interpretada por Maria Bethânia -, que escuto no momento dessa linda leitura. A mim, só resta voltar aqui outras vezes para banhar-me de tamanha sensibilidade em uma forma única e linda: a palavra.
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